quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

31/12/14 - 4ª-feira - 6º dia

Buenas, pessoal!
Era grande nossa expectativa, do César, do Paulo Augusto, do Luiz Eduardo e minha, acerca da nossa decisão de ingressar no Parque Estadual do Turvo independentemente das condições climáticas.
De fato, mesmo com o tempo fechado e uma pequena garoa caindo, às 08h o taxista, "Seu" Botega, nos apanhou em frente ao Hotel Aracê, em Tenente Portela, e rumamos outra vez em direção ao Salto do Yucumã.
A entrada no Parque custa R$ 13,50 por carro, independentemente do número de ocupantes. Pagamos e finalmente acessamos a estrada de chão batido que leva, por 14km atravessando uma mata fechada e completamente intocada, ao Rio Uruguai, na divisa com a Argentina.




Diversos animais foram avistados! Gato do mato, pacas, saracuras, pombos do mato, um coati ou alguma espécie de macaco (estava longe, não conseguimos distinguir o que era), todos cruzaram a estrada estreita na frente no carro, ariscos e ligeiros. Até tentamos fotografá-los, mas é muito difícil acertar com o automóvel em movimento.
À beira do imponente Rio Uruguai, as primeiras placas indicativas da fenda, e do perigo que ela representa aos desavisados que nela caem. Ouvimos, dos guardas florestais, o relato de diversos casos de pessoas que se afogaram, tragadas pelas ondas da fenda, e de outras que faziam do Salto seu trampolim para exibirem seu talento como nadadores.


Um pouco mais adiante, finalmente a trilha para o Salto!


O barulho que o rio faz batendo contra as rochas do Yucumã é assustador! A grande distância ouvíamos o "ronco" das corredeiras. Quanto mais nos aproximávamos, mais água vertia das encostas e, a metros do rio, uma verdadeira corredeira também se formara na trilha de acesso.


O Salto do Yucumã!
Submerso pela água que descia das comportas abertas na represa em Santa Catarina, mas com parte da extensa queda d'água ainda visível, apesar de com pouco mais de 01 metro de altura - em dias apropriados, se revela em todo o seu esplendor com quedas de até 15 m de altura!






É óbvio que fotografias jamais representarão toda a imponência do Salto do Yucumã - mesmo submerso, como hoje... É preciso estar lá, na beira do Rio Uruguai, ouvindo seu ronco enquanto cruza a fenda estreita e profunda e vendo a dança das águas despencando rocha abaixo, provocando uma cena inusitada, do rio literalmente descendo um degrau com 1,8 km de extensão, para seguir seu feroz curso d'água um metro mais baixo!
Prodígios de um fenômeno que se perpetua através dos tempos, e que gera aquela paisagem sem igual!

Claro que não escondemos a nossa frustração por termos vindo numa semana com tanta chuva, que elevou o nível do rio, que motivou a abertura das comportas da represa, que não nos permitiu chegar pedalando às suas margens.
De qualquer sorte, esses contratempos só nos motivaram ainda mais a voltarmos em outra oportunidade, para vermos o que hoje infelizmente não pudemos ver.

De volta ao Hotel, o César despediu-se de nós, desmontou sua bagagem, e retornou de carro para Sarandi. Reiniciará suas atividades profissionais como Oficial de Justiça a partir de amanhã e, com isso, teve que antecipar o final da pedalada.
Mas foi a melhor das companhias nesses cinco dias de percorrida! Sempre solícito, bem-humorado, companheiro, responsável, solidificou nossa amizade e ganhou novos admiradores, como o Luiz Eduardo e o Paulo Augusto, que não cansaram de elogiar a parceria. Valeu, Seghetto!
Aos que permaneceram envolvidos com o desafio, restou remontar a bagagem nas bicicletas e retomar a pedalada, agora rumo a Montenegro, rumo à casa.


Saímos de Tenente Portela às 13h, depois de almoçarmos num restaurante à beira da estrada, e vencemos os 60 km que nos separavam de Seberi, onde já estamos alojados. Num hotel, claro, porque a chuva que caiu ao final da tarde na região - que "novidade"! - por pouco não nos encharca totalmente!
No caminho, passamos pela simpática cidade de Palmitinho, onde registramos a beleza da igreja que recepciona os viajantes que, provindos do noroeste, acessam a comunidade, após vencerem uma subida danada de quase 7 km.


Em Seberi, o registro fotográfico do temporal que desabou sobre a cidade. É um assombro o que tem chovido nos últimos dias. Festa de reveillon hoje, só dentro de casa...


Claro que não esquecemos da chegada do ano novo! Compramos frutas, doces, um espumante, e vamos comemorar a três - talvez até a mais, se convidarmos os frentistas do posto de combustível 24h que há junto ao hotel - a passagem de 2014 e a entrada de 2015! E com o pensamento para nossas famílias que estão lá em Montenegro, esperando por nosso retorno.
A todos, Feliz Ano Novo!
Bait'abraço!

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

30/12/14 - 3ª-feira - 5º dia

Buenas, pessoal!
Já estamos às portas do Salto do Yucumã, maior queda d'água longitudinal do mundo, onde o Rio Uruguai, com toda sua imensidão, numa extensão de 1,8km leva um "tombo" de 15m de altura, mergulhando numa fenda de 30m de largura por 130m de profundidade, obra de arte da natureza, única em sua magnitude!
Desde Soledade temos visto fotos e paineis do Salto ornamentando bares, restaurantes, hoteis. E a cada nova fotografia nossa empolgação aumenta diante da expectativa de conhecermos esse local exuberante.
Com esse pensamento a nos mobilizar, acordamos hoje de manhã em Redentora, pretendendo pedalar ou até Tenente Portela ou até Derrubadas, dependendo das condições climáticas.
Mas já saímos do hotel com os alforjes encapados. Em todas as direções, na vastidão destes campos sem fim, o horizonte estava carregado de nuvens negras. Em muitos lugares a chuva coloria o céu de cinza, e tínhamos certeza de que não escaparíamos do banho...
Subindo e descendo coxilhas, sob a companhia de soja e quero-queros, numa estrada pouco movimentada, fomos vencendo os 40 km que nos separavam de Tenente Portela, local combinado para o almoço.


Paramos às 11h num posto de combustível na entrada da cidade, e aí a chuva veio. Com muita força. Em certos momentos relampejava e trovejava, o céu escurecia, e a precipitação se intensificava. Que remédio! Preparamos o mate, nos abancamos à entrada do restaurante, e, sorvendo um amargo, relembrando os tantos momentos pitorescos da viagem, aguardamos o almoço ficar pronto.
Não há camping em Tenente Portela, somente em Derrubadas-RS, 25 km mais à frente. Levando em conta que, com essa chuvarada que caiu, seria impossível montarmos as barracas, resolvemos outra vez mudar os planos e procurar um hotel na cidade. Nos alojamos no (bom) hotel Aracê, descobrimos um taxista que se propôs a nos levar mesmo com esse tempo até o Parque Estadual do Turvo, compramos capas de chuva e nos tocamos para Derrubadas.


E vá chuva!
Nessas condições mesmo, chegamos ao Parque - que nos recepciona com um pórtico enorme mas muito mal conservado: falta todo um lado da ornamentação.


Enfim, o portão principal!


Aí, outra surpresa: a única informação que tínhamos sobre o ingresso no Parque era de que nos dias 25/12 e 01/01 estaria fechado para visitação, por conta dos feriados nacionais.
Mas que ele não abria às 2ªs e 3ªs-feiras, ah, isso foi uma senhora novidade! Autorizados pelo porteiro, conseguimos localizar um dos guardas do Parque e, de fato, não nos foi permitido o acesso à estrada de chão que nos levaria ao Salto do Yucumã.
Pelo menos pudemos ingressar no museu que há no local, onde uma exposição da fauna do Parque do Turvo está à disposição dos visitantes.

a

Mas confesso que minha decepção era tão grande que não me atraiu analisar os espécimes empalhados no local. O que eu queria ver mesmo era uma das sete onças catalogadas que circulam livremente pelo Parque, o que inclusive torna proibido o trânsito solitário a pé ou de bicicleta dos visitantes. Ou é de turma que se entra, ou dentro de veículos.
Não bastasse, já retornando à sede do município de Derrubadas, no Centro de Informações Turísticas descobrimos que uma represa que há rio acima retém ou libera a vazão do lago artificial surgido a partir da construção da barragem. Desse modo, assim como no domingo e ontem a fenda estava totalmente visível, hoje, com a abertura das comportas, o Salto foi encoberto. Após fechadas, ainda são necessárias 12 horas para que o Rio Uruguai retome sua profundidade normal e o Salto ressurja.
Pode piorar? Pode.
Somente amanhã, às 07h30min, o Centro de Informações receberá a notícia se as comportas estarão abertas ou fechadas, ou seja, se o Salto do Yucumã estará visível ou não.
Resolvemos arriscar: amanhã de manhã, com qualquer tempo (previsão de 50mm de chuva!), cruzaremos a mata da reserva florestal e chegaremos às margens do Rio Uruguai, já na divisa com a Argentina.
Foi para isso que viemos, é isso que faremos.
Até porque, contra o tempo, e contra a natureza, não podemos nos insurgir. É o que tem para hoje.
Bait'abraço!

29/12/14 - 2ª-feira - 4º dia

Buenas, pessoal!
A noite bem dormida no apartamento do César, em Sarandi, foi reparadora. Não temos como agradecer a ele, à sua esposa Luciane e à filha do casal, Fabíola, pela acolhida.
Bem dispostos, descansados, levantamos cedo, às 05h da manhã.
Mas nossa saída foi adiada porque descobrimos um furo na câmara de pneu da bicicleta do César. Desmontamos a roda, trocamos a câmara e às 07h finalmente partimos.
Muita cerração! Segundo o César, algo raro nesta região em pleno mês de dezembro. Chuva? Muita chuva?
Ainda na saída da cidade, o jornalista Rogério Machado, de Sarandi, nos reencontrou, e mais uma vez fotografou o pelotão de ciclistas malucos que estava se dirigindo ao Yucumã. 


Nem bem iniciamos a pedalada, uma placa indicativa do nosso destino nos fez parar novamente para a foto. Todos vibramos naquele momento! 


(Isso me fez lembrar que um comentário que fiz ao Luiz Eduardo ainda em Montenegro: quando nos perguntavam "estão vindo de onde?" e a resposta era "de Montenegro", não impactava. Mas, quando dizíamos que nosso destino era Derrubadas-RS, na divisa com a Argentina, o espanto era inevitável. Hoje, quando alguém nos pergunta "para onde estão indo?" e a resposta é "para o Salto", parece normal. Agora, quando dizemos que estamos vindo de Montenegro, a mais de 400 km de distância, não fecham a boca, de admirados...)

A cerração se dissipou somente às 10h30min, e daí para a frente foi sol, sol e sol. Não há árvores na beira das rodovias, as plantações de soja e milho iniciam a centímetros do asfalto, ou seja, sombra zero. O jeito foi dosar o ritmo para um desgaste suportável.
Mas esperar isso do César, do Paulo Augusto e do Luiz Eduardo foi bobagem. Um, super treinado, os outros dois pura testosterona, cansei de ficar sozinho pedalando. Sumiam no horizonte, em formação de pelotão de ganso (revezando-se na dianteira), vencendo aquelas coxilhas num ritmo muito forte. Eu, gordinho, destreinado, com a bike mais pesada, matei a saudade das minhas viagens solitárias a Brasília, a Santiago do Chile, a Colônia de Sacramento...
E, nesse sobe e desce das campinas, às 11h nos reunimos novamente na entrada de Palmeira das Missões.


Cerca de 15 km mais adiante, paramos para almoçar num posto de gasolina. Depois de devorarmos aquelas servidas de servente de pedreiro, esticamos uma das lonas do nosso material de camping debaixo de uns eucaliptos e... que sesta!
A retomada da pedalada, às 14h30min, demandou outra besuntada geral. O sol estava realmente forte.
Aí sim, cada um no seu ritmo, movido por seus pensamentos, mas todos concentrados na estrada, fomos vencendo gradativamente os 100 km que nos separavam do destino, Coronel Bicaco. Sol no poente, batemos às portas da cidade. Mais uma foto de placa.


Aí, a surpresa...
Não, olha, o Rio Grande do Sul é um mundo inteiro dentro de um Estado só. Temos indústrias de ponta e reservas indígenas. Temos petroquímica e lavouras infindáveis. Temos grandes metrópoles e cidades provincianas, parece que saídas de um filme da década de 30...
Pois assim é que chegamos em Coronel Bicaco. Não há campings, não há pousadas, não há albergues, e o único hotel da cidade... está de férias coletivas! Isso mesmo! Fechado por um mês! Até 25 de janeiro ninguém queira dormir em Bicaco porque será debaixo de uma seringueira na praça.
Foi o primeiro momento de "debate" na viagem: o que fazer? Armar as barracas à beira de uma sanga, num campo de futebol, ou seguir até Redentora, 12 km mais à frente? A sugestão do César, de seguir viagem, prevaleceu, mas eu acusei o golpe. Estava realmente decidido a parar, por conta do imenso desgaste em função dos 100 km já percorridos, no entanto "onde um vai os outros vão também". Toca pra Redentora. O César seguiu na frente para reservar os quartos num hotelzinho bem simples (o único da cidade também) enquanto os outros três seguíamos devagar, curtindo a beleza da paisagem.


E assim, às 19h30min todos estávamos novamente reunidos em Redentora, depois de vencermos um trecho praticamente só de subidas. Foi duro!
Aí, jantar num boteco em frente à praça da cidade e cama!
Percorremos hoje 115 km, e já batemos na casa dos 400 km nesse fantástico passeio de bicicleta pelo nosso Estado.
Tudo tem valido a pena: a companhia, as paisagens, o desafio sendo vencido dia a dia, o conhecimento, as cidades que vamos descobrindo, seus habitantes... bah! Tudo de bom!
Bait'abraço!

domingo, 28 de dezembro de 2014

28/12/14 - domingo - 3º dia

Buenas, pessoal!
E viva a tecnologia! Nossa equipe do pedal tem povoado o facebook com fotos da viagem cicloturística ao Salto do Yucumã. Sistematicamente os guris vão postando as fotos que tiram, e isso vai satisfazendo momentaneamente a curiosidade de tantos amigos e conhecidos que estão acompanhando nossa percorrida.
Então, vou complementando as postagens no facebook com informações da cicloviagem e também com outras fotos.
Saímos às 06h30min de Soledade, e ficamos aliviados por vermos o romper da aurora com sol no horizonte. Mais um dia de chuvarada como o de ontem e não teríamos mais roupa seca para vestir.
Adiamos o café da manhã para quando chegássemos em Mormaço. Aí, o primeiro registro de todo o time junto, fazendo propaganda, nas camisetas, da nossa querida ACICLOMONT, a Associação Ciclística Montenegrina.


Estão belíssimos os campos desta região nesta época do ano: as lavouras de soja e milho colorem o horizonte até onde a vista alcança. É a pujança da nossa agricultura, riqueza do Rio Grande do Sul!


Estava demorando o primeiro encontro com outros cicloviajantes... Hoje aconteceu: ao longe divisamos dois deles na rodovia, logo cruzaram-na e vieram conversar conosco. Estão vindo de Foz do Iguaçu, no Paraná, e seu destino é Porto Alegre. Já pegaram chuvarada na estrada, calor intenso na Argentina (desceram pelo país vizinho), já dormiram em arquibancada de estádio, estão cheios de histórias para contar nessa primeira semana de pedalada.


A extensão do trecho que percorremos hoje (110 km) gerou uma situação inusitada: ainda de manhã o Luiz Eduardo se empolgou e tomou a dianteira do pelotão, sumindo no horizonte.  O Paulo Augusto não se sofreu e seguiu logo depois. O César, excelente em subidas, afastava-se bastante de mim a cada novo aclive, eu o buscava nas descidas, devido ao peso da bicicleta (e ao meu peso também, claro... rsrs). Com isso, todos acabamos fazendo uma pedalada solitária, só nos encontrando nos pontos de parada para as refeições ou descanso.
Assim é que o César e eu acabamos chegando juntos no acesso à cidade de Almirante Tamandaré, onde um lago recebe uma bela montagem de bonecos retratando a colonização alemã e a veia gauchesca do local. Valeu a foto.


Quem tirou a foto foi o Samir, amigo de longa data do César, ciclista também, que, juntamente com o Lorenzo, foi nos recepcionar - pedalando - ainda em Carazinho. Pouco depois ao pelotão juntou-se o Rodrigo, cunhado do César, também ciclista, também pedalando. Quando reencontramos o Paulo Augusto e o Luiz Eduardo, já em Sarandi, ficou bonito: sete ciclistas posaram para a foto!


Resolvemos alterar o programa inicial novamente. Com tanta roupa úmida e malcheirosa dentro dos alforjes, por conta do temporal de ontem, achamos que a melhor pedida seria pernoitarmos no apartamento do César, em Sarandi, a fim de que pudéssemos colocar a roupa numa lavadora (com bastante sabão em pó). A esposa do César, Luciane, e a filha Fabíola se revelaram excelentes anfitriãs, fazendo de tudo para nos proporcionar uma estada tranquila e confortável. Isso não tem preço.
No jantar em um restaurante da cidade, acabamos participando de uma entrevista para um jornal da região. O link para acesso ao vídeo que foi gravado é o que segue:


Pena que não saiu a foto que fizemos do prédio da Prefeitura de Sarandi ornamentada para o Natal. É inacreditável o que um funcionário faz, há anos, com luzes e adereços. Procurei na internet uma foto da decoração mas não achei. Ficarei devendo.


Hoje, foram 110 km de pedalada, a maior percorrida até agora. Amanhã, pernoitaremos em Coronel Bicaco, e na 3ª-feira em Derrubadas-RS. A sequência do programa dependerá da chegada das famílias para as comemorações da virada de ano, ainda estamos nos organizando para isso.
Bait'abraço!

sábado, 27 de dezembro de 2014

27/12/14 - sábado - 2º dia

Buenas, pessoal!
Acordamos às 05h da manhã, no Camping das Pedras, em Marques de Souza, com o mundo acabando em água! Uma chuva torrencial desabava sobre a região. Carregamos os alforjes das bicicletas, desmontamos o acampamento improvisado na garagem de uma cabana do camping e às 06h estávamos prontos para partir. Mas chovia tanto que adiamos por duas vezes a largada. Às 06h30min, contudo, o César pegou sua bicicleta, nos deu "tchau" e mergulhou naquele aguaceiro. Homem de coragem aquele. Que remédio senão enfrentar a tormenta também? Ligamos os sinalizadores, colocamos os jalecos laranjas, e seja-o-que-Deus-quiser! Nem tínhamos atravessado a área do camping já estávamos totalmente encharcados por obra daquela chuva gelada.
E o grande desafio do dia nos aguardava a apenas 02 km após a partida: um aclive de 09 km nos levou do pé da serra ao altiplano riograndense, a 700 metros de altitude. Uma estupidez de subida, sem folga. E batendo água! O César, o mais bem preparado fisicamente do quarteto, aos poucos foi desaparecendo nas curvas da serra, seguido pelo Luiz Eduardo. O Paulo Augusto e eu fomos ficando para trás. Mais de 1 hora depois de iniciarmos aquela subida feroz, todos nos reagrupamos na entrada da cidade de Pouso Novo.
Eu, sozinho, na rabeira do pelotão, dei-me ao tempo de fotografar o vale. É bonito uma coisa por demais!
 

Alguns quilômetros mais à frente, logo depois de passarmos o aglomerado urbano de São José do Herval, nos preparamos para outra subida, que nos levou até o acesso de Fontoura Xavier. Mais 4 km de esforço e concentração. E vá chuva!


Almoçamos em Vila Assis, e nos demos ao tempo de tentar um cochilo num abrigo ao lado do restaurante. Mas havia tantas moscas no local, e o vento guasqueado incomodava de tal forma, que antecipamos o retorno à pedalada.
Pois esse mesmo vento foi o tempero que faltava para um dia tão difícil: começou a soprar do noroeste, exatamente para onde estávamos indo. Na pinha! Nas subidas, a velocidade caía para 6, 7 km/h. Nas descidas, ou pedalávamos ou as bicicletas paravam. Por sorte, a chuva deu uma trégua depois do meio-dia e nossas vestimentas, encharcadas desde a manhã, finalmente secaram no nosso corpo.
Chegamos no Parque das Tuias à meia tarde, e nos divertimos com as esculturas em ferro que existem em frente a esse complexo turístico.  



(Guri é guri... podres de cansados, mas sem perderem o bom-humor)

Aos poucos as elevações pedregosas foram dando lugar aos campos e pastagens, e para todos os lados a paisagem é de encher os olhos.


Na chegada em Soledade, o Luiz Eduardo e eu posamos para a tradicional "foto de placa". Nesse caso, naquela indicativa da direção a ser tomada para Espumoso, Cruz Alta, Barros Cassal, entre outras.



Em função de tanta roupa molhada, os alforjes úmidos, resolvemos mudar a estratégia e nos hospedarmos no Hotel Nicolodi, bem na entrada da cidade. Nada como um banho reparador, toalhas secas, e uma cama confortável...
No restaurante onde jantamos, uma grata surpresa: um enorme painel reproduzia a formação do Salto do Yucumã. Confesso que fiquei arrepiado ao visualizar a fenda e a queda longitudinal de quase 2 km de extensão. E muito feliz com a emoção dos demais em reconhecer o destino da nossa expedição. Tenho certeza que se empolgaram ainda mais em continuar. Esse lugar vale todo o esforço que uma pedalada de 500 km para ir e 500 km para voltar demanda.


Hoje fizemos 70 km, 165 no total. 
Amanhã, o dia da pedalada mais extensa: 110 km até Sarandi. Tomara que sem vento e sem chuva (apesar de todas as previsões meteorológicas dizerem o contrário).
Bait'abraço!

26/12/14 - 6ª-feira - 1º dia

Buenas, pessoal!
Finalmente demos a largada para mais uma aventura ciclística!
Eram 06h15min quando nos despedimos dos familiares e acessamos a RS-287, em direção a Marques de Souza, a primeira parada da nossa expedição rumo ao Salto do Yucumã.
Saímos em quatro ciclistas: o Paulo Augusto, o Luiz Eduardo, o César Seghetto e eu.


A primeira surpresa da viagem foi o nascer do sol. Um vermelho tomou conta do céu e logo depois fomos brindados com a companhia do astro-rei, contrariando a previsão de chuva na região no dia de hoje.


Aliás, não pegamos chuva durante todo o dia. Só ao cair da tarde, já chegando em Marques de Souza, é que alguns pingos caíram, sem, contudo, atrapalhar a percorrida.
Logo depois do acesso a BR-386, um velho conhecido veio nos fazer companhia. É o Edson Pletsch, de Maratá, ciclista de longas distâncias, que estava dando uma treinada naquela rodovia, aproveitando o excelente acostamento da estrada. Foi um barato compartilhar com o amigão alguns quilômetros antes de nos despedirmos.


Foi um dia muito bom de pedalar. Sol entre nuvens, sem vento, aclives suportáveis, antes das 18h já havíamos percorrido os 97 km que nos separavam da primeira parada, no "Camping das Pedras", em Marques de Souza. Um belíssimo local, com excelente infraestrutura, os proprietários - Seu Astor e Dona Dolores - umas simpatias.


O camping está localizado à margem do Rio Fão, de água limpa e fundo pedregoso, ideal para um banho ao final da tarde. Todos fomos para a prainha do local.


(Os guris estão precisando tomar sol... eheheheh)

O que não contávamos é que não havia cabanas disponíveis para pernoite: todas alugadas. E como à noite o tempo se armou para a chuva (relampejou muito), achamos mais conveniente não montar as barracas, mas sim improvisarmos um "acampamento" na área de serviço/garagem/churrasqueira de uma das cabanas em que os inquilinos não apareceram. Um luxo de aposentos!


Antes, fomos jantar. Meu Deus! Um mini-café colonial, com tanta fartura, que a todos assombrou. E os garçons tiveram que repor tantas vezes os bifes e os ovos fritos, o pão caseiro e o bule de café com leite, que achei que teríamos uma congestão de tanto que comemos. Tudo permitido em função da fórmula bicicleta > bagagem > calor > asfalto > 100 km > fome/sede/sono > cansaço. Uma orgia gastronômica, sem dúvida.


Para amanhã, está previsto o dia mais duro de todos: incontáveis subidas de Marques de Souza até Soledade, e muita chuva. Mas, como não podemos fugir do bicho sem pelo menos ver a cor do pelo, que venha.
Bait'abraço!

quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

Tudo pronto!

Buenas, pessoal!
A chegada, hoje à tarde, do quarto ciclista que participará da cicloviagem ao Salto do Yucumã a partir de amanhã, o amigo (e colega de Judiciário) César Seghetto, provindo de Sarandi-RS, completou o escrete que se largará em mais uma aventura sobre duas rodas.
Dia de guardar toda a bagagem nos alforjes, fazer os últimos ajustes e começar a interminável "contagem regressiva" para a partida.
Alguns dados estatísticos:
a) a Two Hard, standard, pesou 16 kg; carregada, foi aos 33 kg; quem a pilotará será o Paulo Augusto;
b) a Caloi Elite, standard, também pesou 16 kg; e carregada, igualmente chegou aos 33 kg; o Luiz Eduardo a guiará;
c) a T-Type, standard, pesou 17 kg; carregada, chegou aos 29  kg; quem a conduzirá será o César;
d) a Ranger, standard, pesou 19 kg; carregada, bateu nos 43 kg; serei eu o responsável por sua condução.
Esse pretenso "desequilíbrio" na carga será ajustado durante o percurso. Os mantimentos serão consumidos, e com isso readequaremos novamente sua distribuição entre os bagageiros. Vale lembrar: em princípio, seremos autossuficientes. Somente um grande imprevisto demandará alguma providência especial.
A surpresa ficou por conta do baixo peso geral: 70 kg de bagagem, 10 kg a menos do que eu havia previsto inicialmente. Muito bom! Estou conseguindo otimizar a seleção dos petrechos de viagem.
Abaixo, algumas fotos das bicicletas já carregadas:





Camelos prontos!
Agora é focar na viagem, curtir a paisagem, conhecer gente, desafiar o esqueleto, viver intensamente o companheirismo que sempre norteia as cicloviagens, enfim, ser protagonista de mais uma aventura inesquecível!
Amanhã, primeira parada em Marques de Souza, capital gaúcha do campismo, a 90 km de distância de Montenegro.
Bait'abraço! 

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Faltam dois dias para a partida, rumo ao Yucumã!

Buenas, pessoal!
Estamos às vésperas da partida de nossa cicloviagem rumo ao Salto do Yucumã, em Derrubadas-RS.
As primeiras notícias evidentemente têm a ver com os preparativos para a viagem. Os últimos dias foram de montagem dos bagageiros nas bicicletas, de instalação dos alforjes e dos acessórios indispensáveis a percorridas de longa distância, como essa que faremos (um percurso de aproximadamente 1.000 quilômetros).
Quatro ciclistas estamos confirmados para o desafio: o César Augusto Seghetto, 43 anos, servidor do Judiciário, residente em Sarandi-RS, o Paulo Augusto Petry, 17 anos, estudante, o Luiz Eduardo Petry da Silva, 17 anos, estudante, e eu, 48 anos, também servidor do Judiciário, os três últimos residentes em Montenegro. O César e o Luiz Eduardo estão estreando em viagens de fundo, mas sua empolgação acaba nos contagiando, a mim e ao Paulo Augusto, também!
O Jornal Ibiá, nosso diário local, publicou uma matéria muito legal hoje, acerca da cicloviagem. Só nos resta agradecer pelo prestígio ao desafio ao qual estamos nos propondo. Aliás, o JI tem sempre reservado generosos espaços para divulgar o ciclismo na região. Valeu!
Amanhã postaremos as primeiras fotos, já com as bicicletas montadas. Falando nelas, vale lembrar que viajarei novamente com minha Monark Ranger (que foi remanufaturada para a viagem ao Uruguai no início de 2014, recebendo grupo Shimano Acera de 24v, freios a disco hidráulico, e aros 29"), o Paulo Augusto viajará com uma Two Hard, equipada com câmbio Shimano de 21v, e aros 26", e o Luiz Eduardo com a confiável estradeira Caloi Elite 2.7, câmbio Shimano Deore de 27v, aros 26". A bike do César só chega amanhã, se não me engano é uma T-Type. Percebam que as bicicletas não são o "ó do borogodó" em termos de tecnologia, mas foram rigorosamente revisadas para a viagem - isso sim, imprescindível para uma pedalada sem sustos.
Nossa saída acontecerá no dia 26 (6ª-feira), às 06h da manhã, e a primeira parada será no camping de Marques de Souza, à beira do Rio Fão. Parece que com chuva...
No decorrer dos dias, iremos postando neste blog, que será reproduzido no Jornal Ibiá.
Antecipados agradecimentos a todos que serão nossos "caroneiros virtuais" nesta viagem. Esperamos poder divertir e entreter a todos com nossos relatos. Quem sabe, até angariar novos adeptos para as futuras cicloviagens, não é?
Bait'abraço!

domingo, 30 de novembro de 2014

Buenas, pessoal!
Aguardem...
Em breve, inauguraremos mais este blog com a narrativa de outra viagem de bicicleta. Desta vez, ao Salto do Yucumã!
Bait'abraço.