Buenas, pessoal!
Era grande nossa expectativa, do César, do Paulo Augusto, do Luiz Eduardo e minha, acerca da nossa decisão de ingressar no Parque Estadual do Turvo independentemente das condições climáticas.
De fato, mesmo com o tempo fechado e uma pequena garoa caindo, às 08h o taxista, "Seu" Botega, nos apanhou em frente ao Hotel Aracê, em Tenente Portela, e rumamos outra vez em direção ao Salto do Yucumã.
A entrada no Parque custa R$ 13,50 por carro, independentemente do número de ocupantes. Pagamos e finalmente acessamos a estrada de chão batido que leva, por 14km atravessando uma mata fechada e completamente intocada, ao Rio Uruguai, na divisa com a Argentina.
Diversos animais foram avistados! Gato do mato, pacas, saracuras, pombos do mato, um coati ou alguma espécie de macaco (estava longe, não conseguimos distinguir o que era), todos cruzaram a estrada estreita na frente no carro, ariscos e ligeiros. Até tentamos fotografá-los, mas é muito difícil acertar com o automóvel em movimento.
À beira do imponente Rio Uruguai, as primeiras placas indicativas da fenda, e do perigo que ela representa aos desavisados que nela caem. Ouvimos, dos guardas florestais, o relato de diversos casos de pessoas que se afogaram, tragadas pelas ondas da fenda, e de outras que faziam do Salto seu trampolim para exibirem seu talento como nadadores.
Um pouco mais adiante, finalmente a trilha para o Salto!
O barulho que o rio faz batendo contra as rochas do Yucumã é assustador! A grande distância ouvíamos o "ronco" das corredeiras. Quanto mais nos aproximávamos, mais água vertia das encostas e, a metros do rio, uma verdadeira corredeira também se formara na trilha de acesso.
O Salto do Yucumã!
Submerso pela água que descia das comportas abertas na represa em Santa Catarina, mas com parte da extensa queda d'água ainda visível, apesar de com pouco mais de 01 metro de altura - em dias apropriados, se revela em todo o seu esplendor com quedas de até 15 m de altura!
É óbvio que fotografias jamais representarão toda a imponência do Salto do Yucumã - mesmo submerso, como hoje... É preciso estar lá, na beira do Rio Uruguai, ouvindo seu ronco enquanto cruza a fenda estreita e profunda e vendo a dança das águas despencando rocha abaixo, provocando uma cena inusitada, do rio literalmente descendo um degrau com 1,8 km de extensão, para seguir seu feroz curso d'água um metro mais baixo!
Prodígios de um fenômeno que se perpetua através dos tempos, e que gera aquela paisagem sem igual!
Claro que não escondemos a nossa frustração por termos vindo numa semana com tanta chuva, que elevou o nível do rio, que motivou a abertura das comportas da represa, que não nos permitiu chegar pedalando às suas margens.
De qualquer sorte, esses contratempos só nos motivaram ainda mais a voltarmos em outra oportunidade, para vermos o que hoje infelizmente não pudemos ver.
De volta ao Hotel, o César despediu-se de nós, desmontou sua bagagem, e retornou de carro para Sarandi. Reiniciará suas atividades profissionais como Oficial de Justiça a partir de amanhã e, com isso, teve que antecipar o final da pedalada.
Mas foi a melhor das companhias nesses cinco dias de percorrida! Sempre solícito, bem-humorado, companheiro, responsável, solidificou nossa amizade e ganhou novos admiradores, como o Luiz Eduardo e o Paulo Augusto, que não cansaram de elogiar a parceria. Valeu, Seghetto!
Aos que permaneceram envolvidos com o desafio, restou remontar a bagagem nas bicicletas e retomar a pedalada, agora rumo a Montenegro, rumo à casa.
Saímos de Tenente Portela às 13h, depois de almoçarmos num restaurante à beira da estrada, e vencemos os 60 km que nos separavam de Seberi, onde já estamos alojados. Num hotel, claro, porque a chuva que caiu ao final da tarde na região - que "novidade"! - por pouco não nos encharca totalmente!
No caminho, passamos pela simpática cidade de Palmitinho, onde registramos a beleza da igreja que recepciona os viajantes que, provindos do noroeste, acessam a comunidade, após vencerem uma subida danada de quase 7 km.
Em Seberi, o registro fotográfico do temporal que desabou sobre a cidade. É um assombro o que tem chovido nos últimos dias. Festa de reveillon hoje, só dentro de casa...
Claro que não esquecemos da chegada do ano novo! Compramos frutas, doces, um espumante, e vamos comemorar a três - talvez até a mais, se convidarmos os frentistas do posto de combustível 24h que há junto ao hotel - a passagem de 2014 e a entrada de 2015! E com o pensamento para nossas famílias que estão lá em Montenegro, esperando por nosso retorno.
A todos, Feliz Ano Novo!
Bait'abraço!




