terça-feira, 30 de dezembro de 2014

29/12/14 - 2ª-feira - 4º dia

Buenas, pessoal!
A noite bem dormida no apartamento do César, em Sarandi, foi reparadora. Não temos como agradecer a ele, à sua esposa Luciane e à filha do casal, Fabíola, pela acolhida.
Bem dispostos, descansados, levantamos cedo, às 05h da manhã.
Mas nossa saída foi adiada porque descobrimos um furo na câmara de pneu da bicicleta do César. Desmontamos a roda, trocamos a câmara e às 07h finalmente partimos.
Muita cerração! Segundo o César, algo raro nesta região em pleno mês de dezembro. Chuva? Muita chuva?
Ainda na saída da cidade, o jornalista Rogério Machado, de Sarandi, nos reencontrou, e mais uma vez fotografou o pelotão de ciclistas malucos que estava se dirigindo ao Yucumã. 


Nem bem iniciamos a pedalada, uma placa indicativa do nosso destino nos fez parar novamente para a foto. Todos vibramos naquele momento! 


(Isso me fez lembrar que um comentário que fiz ao Luiz Eduardo ainda em Montenegro: quando nos perguntavam "estão vindo de onde?" e a resposta era "de Montenegro", não impactava. Mas, quando dizíamos que nosso destino era Derrubadas-RS, na divisa com a Argentina, o espanto era inevitável. Hoje, quando alguém nos pergunta "para onde estão indo?" e a resposta é "para o Salto", parece normal. Agora, quando dizemos que estamos vindo de Montenegro, a mais de 400 km de distância, não fecham a boca, de admirados...)

A cerração se dissipou somente às 10h30min, e daí para a frente foi sol, sol e sol. Não há árvores na beira das rodovias, as plantações de soja e milho iniciam a centímetros do asfalto, ou seja, sombra zero. O jeito foi dosar o ritmo para um desgaste suportável.
Mas esperar isso do César, do Paulo Augusto e do Luiz Eduardo foi bobagem. Um, super treinado, os outros dois pura testosterona, cansei de ficar sozinho pedalando. Sumiam no horizonte, em formação de pelotão de ganso (revezando-se na dianteira), vencendo aquelas coxilhas num ritmo muito forte. Eu, gordinho, destreinado, com a bike mais pesada, matei a saudade das minhas viagens solitárias a Brasília, a Santiago do Chile, a Colônia de Sacramento...
E, nesse sobe e desce das campinas, às 11h nos reunimos novamente na entrada de Palmeira das Missões.


Cerca de 15 km mais adiante, paramos para almoçar num posto de gasolina. Depois de devorarmos aquelas servidas de servente de pedreiro, esticamos uma das lonas do nosso material de camping debaixo de uns eucaliptos e... que sesta!
A retomada da pedalada, às 14h30min, demandou outra besuntada geral. O sol estava realmente forte.
Aí sim, cada um no seu ritmo, movido por seus pensamentos, mas todos concentrados na estrada, fomos vencendo gradativamente os 100 km que nos separavam do destino, Coronel Bicaco. Sol no poente, batemos às portas da cidade. Mais uma foto de placa.


Aí, a surpresa...
Não, olha, o Rio Grande do Sul é um mundo inteiro dentro de um Estado só. Temos indústrias de ponta e reservas indígenas. Temos petroquímica e lavouras infindáveis. Temos grandes metrópoles e cidades provincianas, parece que saídas de um filme da década de 30...
Pois assim é que chegamos em Coronel Bicaco. Não há campings, não há pousadas, não há albergues, e o único hotel da cidade... está de férias coletivas! Isso mesmo! Fechado por um mês! Até 25 de janeiro ninguém queira dormir em Bicaco porque será debaixo de uma seringueira na praça.
Foi o primeiro momento de "debate" na viagem: o que fazer? Armar as barracas à beira de uma sanga, num campo de futebol, ou seguir até Redentora, 12 km mais à frente? A sugestão do César, de seguir viagem, prevaleceu, mas eu acusei o golpe. Estava realmente decidido a parar, por conta do imenso desgaste em função dos 100 km já percorridos, no entanto "onde um vai os outros vão também". Toca pra Redentora. O César seguiu na frente para reservar os quartos num hotelzinho bem simples (o único da cidade também) enquanto os outros três seguíamos devagar, curtindo a beleza da paisagem.


E assim, às 19h30min todos estávamos novamente reunidos em Redentora, depois de vencermos um trecho praticamente só de subidas. Foi duro!
Aí, jantar num boteco em frente à praça da cidade e cama!
Percorremos hoje 115 km, e já batemos na casa dos 400 km nesse fantástico passeio de bicicleta pelo nosso Estado.
Tudo tem valido a pena: a companhia, as paisagens, o desafio sendo vencido dia a dia, o conhecimento, as cidades que vamos descobrindo, seus habitantes... bah! Tudo de bom!
Bait'abraço!

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